Saiba um pouco sobre o GOG:confira uma entrevista exclusiva ,sobre sua vida,seus projetos e sobre seu albúm Tarja Preta , o primeiro a incluir músicas com participação direta de outros integrantes do hip-hop, com arranjos de Bruxo, além da percussão de DJ Brother, Ralph Sardela e Marco Verde no baixo, Ariel Feitosa na guitarra e violão, e Tydoz (TDZ) nos scratches. São 23 composições do próprio GOG, Demis Preto Realista e Gato Preto, entre elas, “Rua Sem Nome, Barraco Sem Número”, “América Sem Reféns”, “Sonhos Latinos” e “Talvez Seja Querer Demais”, alguns dos destaques. Vale a pena conferir!
*Rap Nacional: Hoje você é considerado um dos Rappers mais completos do Brasil. N*ós conte um pouco da historia e da trajetória do GOG, as dificuldades, alegrias no RAP?
*GOG:* Meu envolvimento com a música negra é uma herança familiar. Meus primos, em meados dos anos 70, calçavam salto plataforma, usavam cabelo black power e os vinis que ouviam em casa iam de Paulo Sérgio a Toni Tornado. A influência foi total. Na rua onde eu fui criado, o opala do pai de César, tocava incessantemente o “Melô do Tagarela”Todos nós sabíamos cantar a versão longa do som. Nessa época, com 12 anos, eu começava a freqüentar os chamados “sons”, que eram festas caseiras , aniversários,
casamentos e o que rolava era soul, funk, disco. Foi um período musical muito rico e isso refletia nas rádios convencionais, a Manchete Fm, era uma das minhas preferidas. Com a chegada dos anos 80 comecei a dançar break .Eu era de um Grupo chamado “Magrello´s formado por amigos de infância, os mesmos que cresceram ao meu lado “ouvindo o som no opala”, que eu me refiro na introdução do “Voz Sem Medo”. O “Marcão ” do “Baseado nas Ruas ” era um deles. Dançamos muito na periferia do DF, literalmente, suávamos a camisa.
Ganhamos concursos, nossos ídolos eram ” Os Biras” Queen, Fumaça, o pessoal dos “Baygon” e os “Mafu”, e vários outros. Um tempo mágico, sem comparação com a cena atual, que deixou saudades e que foi decisivo na formação do GOG,seja como rapper, pai de família, enfim , homem. Quanto as dificuldades,sempre existiram, vão existir, mas fazem parte da caminhada. Na minha opinião, o que fica na mente, numa carreira vitoriosa como a minha são as lições, e alegria das superações.

*Rap Nacional:* Se pudesse voltar no tempo mudaria alguma, ou acha que tudo valeu a pena?
*GOG:* Teria lançado menos discos. A riqueza fica diluída pela quantidade.Vários discos principalmente os primeiros mereciam ser mais debatidos. Percebo e trabalho para que a essência da minha obra seja pautada pela discussão, debate e propostas.
*Rap Nacional:* Nos fale um pouco sobre seu ultimo trabalho o álbum duplo “Tarja Preta”?
*GOG:* Foi um grande desafio. Escrevi praticamente todas as letras no estúdio, ou seja no tempo que tinha pra produzir, que era reduzido, pois foi no período que o meu Pai mais precisou de mim. O nome “Tarja Preta” é uma referência a enorme quantidade desse tipo de remédio que foi consumido por ele durante seu tratamento. Eu próprio passei por uma fase interior complicada e cheguei a tormar 01 comprimido. Mas de cara percebi que era eu, desprovido de remédios que deveria superar esta fase. Eu estava certo.
*Rap Nacional:* O que você acha das novidades e tecnologia desse mundoglobalizado? É o que se reflete nas favelas com essas tão mudanças rápidas?
*GOG:* Jucelino Kubischeck falava de 50 anos em 5 e o mundo hoje anda 100 anos em 1. É a chegada da tecnologia cibernética e isso é irreversível.Agora, o ser humano nunca esteve tão carente de valores morais, sociais como hoje. “O Ter, poder, estar em 1* lugar” norteia a grande maioria e o resultado é a crise existencial que vemos e vivemos nos quatro cantos,principalmente nas periferias, entregues e sujeitas a um bombardeio de
informações, produtos, religiões…Muita gente se aproveita disso,transformando em lucro nossos sentimentos mais íntimos. Casa-se pela Internet. E na favela o sonho de consumo, a carência de informações, o
imediatismo, ou seja, o desejo de conquistas da noite pro dia provoca o sentimento de derrota, a baixa auto-estima. São fatores que misturados causam um efeito muito grande, devastador, contagioso. Nas favelas comparo o som das sirenes as correntes que se arrastavam pelas senzalas. Isso mesmo,
somos um misto de senzala e quilombo. Presos e libertos. O desafio do hip hop e dos movimentos sociais é decifrar esses códigos, traduzí-los em dia a dia.
*Rap Nacional:* E sobre a invasão do HIP HOP, e presença dele nos meios de comunicação?
*GOG:* O verdadeiro hip hop já está instalado no Brasil. O que ele precisa é de trabalhar no seu habitat. E definitivamente, não é nos canais de televisão, nas grandes rádios que se vai conseguir isso, outra coisa: O hip
hop é um trem, deve percorrer todas estações, mas deve ao final do dia estacionar em casa. . Sei que o argumento de vários é de que o hip hop tem que ser melhor entendido pela opinião pública, classe média, intelectuais, tirar o estigma de “som de ladrão”, “lixo musical”. Esse é um discurso burguês, sabia? Outra pergunta. O que eles vão poder fazer? Se sensibilizar? Liberar verbas. Veja, todo movimento que se diz contestador, transformador precisa de auto-gestão, criar seu próprio PIB. Vejo que antes de trabalhar
dessa forma estamos querendo trazer pra cá holofotes, e o pior é que, historicamente, isso foi o que vários movimentos que se desintegraram física e politicamente, fizeram antes de perder sua identidade. Podemos produzir, cds, dvds, clips, espetáculos,vinis, roupas, livros, quadros, telas, profissionais em diversas áreas, programas de rádios, milhares de outras coisas e ficamos atrás de verbas, cargos ou carreiras políticas? Sou
totalmente contra a candidaturas por parte de integrantes do hip hop, esse é um passo a ser dado bem mais adiante, mediante a maturidade do movimento e uma acalorada discussão. Organizados poderíamos gerar centenas de milhares de empregos diretos e indiretos, sem depender de algo que pode sair muito caro.
*Rap Nacional: *Como você *traçaria sua análise entre o RAP passado e o agora?
*GOG: O rap atual é conseqüência do que foi plantado no passado. Daí tem-se a conclusão que tivemos erros e acertos. Mas valeu e vale a pena trabalhar pelo movimento!
*Rap Nacional: **Além de ser Rapper, você tem outras correrias?
*GOG: Sou pai, filho, irmão, amigo dos amigos. Tenho também uma rede de lojas, especializada em hip hop, gero uma dezena de empregos diretos.*
*Rap Nacional: O você que mais gosta de fazer diariamente?
*GOG: Abraçar Dona Sebastiana, minha esposa e filhos.
*Rap Nacional: Hoje você se senti realizado pessoalmente e profissionalmente?
*GOG: Sim. Mas o ser humano é um ser incompleto. Quer sempre mais, as vezes nem sabe o quê. A minha maior felicidade reside em ter a certeza que eu encontrei essa razão. “A minha vida já não me pertence.”
*Rap Nacional: O que acha do caminho que o rap nacional anda tomando, em termos de letras dançantes, acha que os Rappers estão aderindo o movimento “POP”?
*GOG: Isso não me preocupa. Sou a favor da liberdade de expressão. Só não aturo oportunistas, todos sabem quem são.
*Rap Nacional: **O que acha do resultado do Referendo sobre a proibição do comercio de armas de fogo e munição no Brasil?
*GOG: Foi uma vitória da direita conservadora. Nós convivemos historicamentecom o medo e demos nossa parcela de contribuição, a arma só tem um objetivo.Defendo referendo para a melhoria da saúde pública, passe livre, terra,moradia universidades públicas para todos, ensino fundamental e médio de qualidade, coisas assim. Ou melhor, referendo visando a punição exemplar dos corruptos. Isso eles não falam, execram…Enquanto esses temas não forem pauta do dia o hip hop e os movimentos sociais não terá cumprido sua missão.
Falo isso ciente de que tudo é um processo.*
*Rap Nacional:* Quando bate a inspiração para compor?
*GOG:* Tenho um modo especial de compor, só durante a produção do disco, não acumulo letras, apenas pensamentos.
*Rap Nacional:* E os projetos para o futuro?
*GOG:* Vários, aguardem… O que tem me trazido grande alegria é o grupo “AFamília”, não só musicalmente, mas principalmente pela evolução, visão de futuro, propostas e a fidelidade dos parceiros. Receber o Prêmio de Melhor Música do ano no Prêmio Hutuz foi um passo importante.
*Rap Nacional:* O que podemos esperar do GOG para 2006? Vêm novidades por aí?
*GOG*: Lógico que sim. O Cd do Rapadura e A coletânea “GOG Convida – Vol 2 ” já estão em fase final, além de vários projetos em andamento.
*Rap Nacional:* Deixe um salve? E um recado para os internautas do site Rap Nacional?
*GOG:* Agradeço pelo convite, a luta é grande, mas até a vitória. Sou um Gladiador que forma quadros, militantes, parceiros, enfim, brasileiros de verdade, que amam seu povo e sua terra. É preciso se comover, mais que isso, se indignar e sair para o combate do dia a dia. E lembrem-se: ” O Capitalismo é o Gigante dos pés de barro”, quem o faz forte é você.Saudações Revolucionárias!!
Tags: GOG
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O OQUE FALTA PARA O RAP NACIONAL SAO RAPPERS COMO O GOG…
FORÇA IRMÃO!!!
""" ae gog vc eo exemplo , rap do bom nao e aquele transmite a violencia sim aquele que faz os manos encherga a realidade que tanmos vivendo hoje!!!
"um sauve ae do reaçao ant'sistema "
salve mano gog aqui no df nao e tao divulgado mas pros demais que conhece o rap,sabe
que e um poeta e ja mais sera esquecido pelo modo leva suas letras a periferia, como
vc mesmo diz em uma de suas letras cantadas MENSAGEM POSITIVA EO CRIME
eo cara do df !…