Para comemorar o Dia Internacional da Mulher, o Portal Rap Nacional traz hoje e durante a semana um rico material com as minas que representam o nosso RAP NACIONAL, fique ligado, ainda hoje Nega Gizza, Visão de Rua e Atitude Feminina. Especial Mulheres do RAP NACIONAL: confira as duas primeiras entrevistas:
Dona Kelly – Ao Cubo
Karol – Realidade Cruel
Confira abaixo o poema Deusas do cotidiano, do nosso colaborador Sérgio Vaz
“De todos os hinos entoados em louvor às revoluções nos campos de batalhas, nenhum, por mais belo que seja, tem a força das canções de ninar cantada no colo das mães.”
O nome dessas mulheres eu não sei, não lembro e nem preciso saber. São nomes comuns em meio a tantos outros espalhados por esse chão duro chamado Brasil.
Mas a maioria delas eu conheço bem, são donas de um mesmo destino: as miseráveis que roubam remédios para aliviar as angústias dos filhos. É quando a pobreza não é dor, é angústia também. São as ladras de Victor Hugo.
Donas da insustentável leveza do ser, as infantes guerreiras enfrentam a lei da gravidade. Permanecem de pé ante aos dragões comedores de sonhos que escondem na gravidade da lei.
Das trincheiras do ninho enfrentam moinhos de mós afiadas para protegerem a pança dos pequeninos. São as Quixotes de Miguel de Cervantes.
Místicas, não raro, estão sempre nuas em sentimentos. Quando precisam, cruas, esmolam com o corpo, e se postam à espera do punhal do prazer que cravam no seu ventre. È quando o prazer humilha. São as habitantes do inferno de Dante.
Rainhas de castelos de madeiras, sustentam os filhos como príncipes, e os protegem da fome, do frio, e da vida dura e cruel que insiste em bater na porta das mulheres de panela vazia. Quanto aos reis, também são os mesmos: os covardes dos vinhos da ira.
Mágicas, esses anjos se transformam em rochas, quando a vida pede grão de areia. Em flores quando rastejam, em espinhos quando protegem.
Essas mulheres são aquelas que limpam tapetes, mas não admitem serem pisadas.
Riscam papéis, limpam máquinas e consertam crianças que nascem com o sonho quebrado.
São domésticas, mas não admitem serem domesticadas.
E riem quando suam sob lágrimas e sangram o perfume da violeta impune estampada no rosto, que de rosa, não tem nada.
Sim, elas são as deusas do dia a dia.
Tags: Mulheres, Sérgio Vaz
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isso mesmo pesso a DEUS que abençoe as mulheres e principalmente aquelas que fazem part do rap nacional e especialmente minha esposa que é o meu braço direito no palco taty herdeira
À Mulher e ao Seu DiaAlla Donna e al Suo Giorno
Muitas rosas dentre espinhos
que o vento levou.
Muitos espinhos que a rosa curou
tão delicada e tão bem cercada
por espinhos que cercam a amada,
muitas vezes por outros levada.
De perfume e cor sem egual
rosa única na sua especie
exala seu ardor.
Na sua cor ofusca muito olhar
há a rosa breve como a juventude.
Mas eu falo daquela que, entre muitas,
do espinho foi ferrada
o espinho ferrou a delicada pele
tolheu as pétulas.
E’ a rosa muitas vezes bruchada
nas batalhas da vida travadas.
.
Quando não o tempo longo,
nem o passageiro
tolhem o brilho daquela explendida Rosa,
que as pétalas não caiem
naquela Rosa que se mantem firme
a cada passo que dá.
No mar bravio.
Na tempestade. No gelido frio.
Essa estrangeira
num solo esteril de calor que não hà.
Essa sem filho
e de tudo o mais triste na brutal guerra,
tolhendo-lhe a armonia
a armonia de sua curva delicada
da sua face por rugas cavadas
essa Desprezada em sua propria Terra.
Na sua cor. Na sua forma.
No seu aroma.
Essa forte que escurece quaisquer razão
toca no mais profundo de um coração.
E’ o nome Dessa Rosa que o poeta
enloquecido de amor se perde
em tentar expor,
o brilho muitas vezes ofuscado,
o Riso muitas vezes calado,
numa Voz que não se ouve
mas que em seus olhos grita
essa Forte e doce Amante Amada
por todos os homens Procurada.