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Leia a entrevista do GOG ao Radcal

Postado por Mandrake em 12 de fevereiro de 2010 ás 15:57
gog
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Fonte: Jornal Radcal / Grio Produções

Com poesia e palavras certeiras na cabeça, o rapper GOG solta o verbo para o Radcal.
Prestigie posições periféricas, pancadas poéticas, papo parabólico para povo pedindo passagem pelo pensamento precurssor. Proponho: passeie pela proposta preciosa: G-O-G! Prepadad@?

GOG é mc, poeta, correria, empresário, super politizado, incansável nas causas sociais. Cheio de projetos e planos, GOG trocou uma idéia especial com a gente aqui do Jornal Radcal. É ritmo e poesia na veia, se liga aí!

O que veio antes para o GOG? O rap ou a poesia?

A poesia. Ainda criança meus pais me apresentaram Cecília Meireles. Acho que esse contato foi o início da poesia. Meu despertar aconteceu nas primeiras letras, as pessoas ficavam impressionadas e na seqüência perguntavam: “quem escreveu isso?”.

Ter mãe professora influenciou no seu caminho ? Como foi a relação com a escola e com seus pais?

Minha mãe sempre foi muito rígida com o nosso estudo. Eu sempre tive facilidade no aprendizado, assimilava tudo rapidamente e era aluno destaque. Sempre fui aluno da escola pública. Nos anos de 1960, 1970 e início dos 1980, a qualidade do ensino era bem melhor por vários motivos, desde os salários dos professores, até o respeito e credibilidade que os mesmos contavam junto à sociedade. Creio que seja essencial resgatar esse espírito. O desafio é despertar em todos a importância da educação na formação social do ser humano.

O que o rap significa na vida do poeta?

O rap me resgatou de uma fábrica em série. Principalmente estando em Brasília: “Estude, forme-se, gradue-se, seja funcionário público ou abra um escritório”. Não que isso seja errado, mas percebo que contribuo muito mais promovendo “Convulsão Social”, “Abalos sísmicos” em corações e mentes.

É isso que te inspira?

Sim. O mundo, o bem estar das pessoas, a superação dos desafios e a felicidade de poder cooperar positivamente para uma melhoria comum. Me sinto um instrumento dessa estratégia.

O que significa para você o título de poeta?

É uma grande responsabilidade, mas procuro encarar como um carinho, uma forma das pessoas me agradarem e demonstrarem respeito.

Você acha que o fato de ser considerado por todos como poeta, dentro e fora do rap, trouxe mais auto-estima para os jovens das Periferias?

Sim. Brasil com “P” é prova disso. Todo Periférico tem orgulho de dizer que alguém, igual a ele, que sempre estudou na Escola Pública, que vem de ascensão nordestina e é fruto da Afro-Diáspora, foi capaz de construir uma poesia só com a letra “p”. Isso eleva a auto-estima e cria um pressuposto.

Você vai lançar um livro esse ano. Conta essa ótima novidade aí. Quando sai? Como nasceu a idéia? Já tem editora? Tá todo mundo cheio de curiosidade!

Pois é. Um livro em que falo de que forma concebi cada um dos meus discos. A necessidade surgiu quando percebi a grande quantidade de pessoas interessadas em ter acesso aos meus escritos. Foi muito bom relembrar, perceber o caminho trilhado. Na elaboração, contei com o apoio essencial e decisivo de Nelson Maca, professor de literatura da Universidade Católica de Salvador e membro fundador do Coletivo Blackitude-BA. O título do livro é A Rima denuncia e deve sair esse ano, pela Global Editora.

Qual o papel do rap enquanto lugar de fala da periferia? Os Racionais falam: “entrei pelo seu rádio tomei, cê nem viu”. Como você vê essa responsa do rapper diante dos jovens das periferias?

Com o rap a periferia jamais será a mesma. Ele é o jornal do cotidiano e tem a linguagem do ouvinte. Só que não podemos cair na armadilha imediatista de reduzir suas matérias e temas a sangue e relatos descabidos, sem coerência. Muitos, ao longo dos anos perceberam isso, outros continuam trabalhando do jeito que o sistema quer. Informação, responsabilidade, amor, trabalho. Seguindo essas relações o hip hop é insuperável na sua didática.

Para onde caminhou o rap até agora? Onde ele vai parar?
Para ser a música do planeta, isso é inevitável. O desafio é manter-se na trincheira e ter a lembrança histórica de que a proposta maior é não repetir os erros e a ignorância do opressor.

A violência e a expansão das drogas parecem uma epidemia, principalmente nas áreas mais pobres. Ainda é possível brecar este processo? Como?

A única maneira de brecar o processo é uma grande reflexão sobre o papel do povo da periferia na manutenção dessa engrenagem. Quem vende , lucra, mas até que ponto? Quem consome, financia algo. O que, ou quem será? Não dá pra ficar reclamando da situação, sendo um financiador dela. Eu cito minha caminhada: não bebo, não fumo, nunca coloquei um cigarro de maconha na boca, muito menos química, e, mesmo assim, consegui meu destaque. Precisamos de exemplos de vitória, e que não sejam exceção, e sim regra.

Como você acha que deveria ser a escola para responder às necessidades e expectativas dos jovens da atualidade?

O primeiro ato seria a derrubada dos muros, pra que qualquer um pudesse entrar, sentar e assistir uma bela aula, ampliando seu conhecimento. Ou seja: escola para quem precisa, escola para quem precisa de escola. Não entendo, até hoje, porque um morador não pode pedir licença e assistir uma aula na qual tenha interesse. É a burocracia do sistema e aceitação das pessoas que tornam essa relação acabada, imutável. A escola particular surge como uma opção à pública, quando deveria ser um complemento. É um salve-se-quem-puder lamentável. O conteúdo didático deve ser complementado dia a dia com parte da vida do estudante, caso contrário não será atraente. É nesse ponto que as políticas públicas de ensino têm falhado, apesar de muitas vezes serem bem intencionadas.

Poeta, dá uma letra aí na galera Radcal.

A família tem total importância na nossa formação, parece óbvio, mas é bom reforçar. Leiam, criem uma estrutura, se superem todo dia e tomem cuidado com as armadilhas. Até a vitória!

Dicas de livro do GOG

Colecionador de Pedras – Sérgio Vaz
Capão Pecado – Ferréz
A Arte da Guerra – Sun Tzu
Gosto de África – Joel Rufino do Santos
Suburbano Convicto – Alessandro Buzo

Dicas de filmes

Zumbi Somos Nós – documentário dirigido pela Frente 3 de fevereiro em 2008, que discute o racismo na sociedade brasileira.

Além do Cidadão Kane – documentário de Simon Hartog produzido em 1993 pelo canal 4 da BBC, que discute o poder da rede Globo.

Cartão Postal Bomba

O DVD Cartão Postal Bomba já está nas lojas. GOG traz nova proposta de gravação, captação de som, apresentação e distribuição e uma lista extensa de participações especiais que envolvem nomes como Maria Rita, Lenine, Gerson King Combo, Paulo Diniz, Nego Dé, Ellen Oléria, Indiana Nomma, Rapadura, Mascoty, entre outros.
A banda é aquela que sempre acompanha o poeta: Angel Duarte (baixo e voz), Kiko Santana (violão e voz), Richelmy (percussão), Ted (teclados), Ariel Feitosa (guitarra e produção musical), Júnior (bateria) e Dj A nas pick ups.
Para adquirir acesse: www.gograpnacional.com.br . No site tem toda a agenda de shows do GOG e todas as novidades para 2009.

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Comentário dos Leitores:

  1. G.O.G -> Profeta Poeta! hehe.. representando nossa cidade, Brasília-DF / Guará é nóis ;)

  2. Nelson Maca disse:

    Parabéns a todos pela entrevista.
    Acho que muita gente no Brasl, principalmente da juventude, por estar menos viciada nas seduções do sistemão, precisa ler e ouvir artistas como o GOG.
    Ele é um cara espetacular que não deixou que o mundinho da fama lhe roubasse a rebeldia necessária nem o senso de irmandade com os pigentes da locomotiva deste mundo.
    Tive o prazer e o privilégio de trabalhar com o GOG em A Rima Denuncia, livro que deve sair ainda neste primeiro semestre pela Gobal Editora, fazendo parte da Coleção Literatura Periférica que já contacom obras publicadas de nossos parceiros Sérgio Vaz, Alessandro Buzo, Allan da Rosa, Sacolinha e Dinha.
    Com GOG, foram conversas maravihosas. O livro está bom, não por mim, que sou apenas o organizador dos escritos, mas pela qualidade poética, política, histórica e filosófica das letras e também depoimentos do Poeta do Rap, ambos não únicos, porém acima da média com certeza.
    Nelson Maca – Blackitude.Ba / UCSal

  3. Marília disse:

    Informação é tudo !

  4. Paulo Brazil/STN disse:

    O Gog realmente é um exemplo a ser seguido, sempre fiel as suas convicções. Sempre criativo e inovador.
    Além de poeta, é miltimídia: música, cinema e agora livro, o que mais vem por ai, poeta??

    Salve Gog, salve Nelson Maca!!!

    Paz à todos!!!

    Paulo Brazil/STN-Amante do Vinil!!!
    Apreciador da Cultura Hip Hop!!!

  5. lucas disse:

    parabens GOG
    esse sim e o verdadeiro revoluçionario do rap

    FOGO NO PAVIO!!!

  6. GIMMICK disse:

    Sou sempre suspeito pra falar do GOG, sou fã incondicional desse ícone do rap nacional e mundial, um verdadeiro fenômeno. Sou MC e ele é uma das minhas principais referências. Recomendo a todos que ouçam GOG como uma especié de 'aviso as gerações' SALVE GOG e a todos que fazem esse maravilhoso e importatnte site. GIMMICK rapper segipano.

  7. SERGIO disse:

    QUEM BANCOU A FESTA DO DEXTER MESMO ? FALAI GOG
    QUEM SEQUESTROU O GRINGO MESMO ? FALA AI GOG
    QUE PAPELAO EM EU LI A SUA OUTRA INTREVISTA
    È MELHOR NEM VIM AQUI PARA SP PQ ACHAPA VAI ESQUENTAR

  8. guilherme(otro) disse:

    sem dúvida nenhuma,coerente e imparcial nas palavras,verdadeiro!!!o poeta da periferia…g.o.g

  9. JUNIOR disse:

    SEM PALAVRAS NÉ MANO O MALUCO É O MELHOR TEM UNS TROXA QUE AINDA FALA MERDA É FODA

  10. JUNIOR disse:

    SEM PALAVRAS NÉ MANO O MALUCO É O MELHOR TEM UNS TROXA QUE AINDA FALA MERDA É FODA

  11. Eduardo Machado disse:

    é importante notar que assim como outros meios se fortalecem, a interação e o fortalecimento do RAP acontece. Sou baiano e já tive o privilégio de assistir alguns shows desse ícone histórico do Rap Nacional, através de um evento chamado Blacktude, organizado pelo Blacktude, organização que Nelson Maca faz parte, que por sinal acredito que é importante acontecer de forma mais rotineira em nossa cidade pelos conteúdos importante que são abordados . Parabens GOG e Nelson Maca também importancia de VCs ao empoderamente e a Militância dedicado a Cultura Hip Hop. "Até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias de caçadas continuarão glorificando os caçadores", asé Irmãos!!!!





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