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Música Negro Drama é tema de análise da Revista Língua portuguesa

Postado por Cristiane Oliveira em 28 de março de 2011 ás 16:33
racionais
Música Negro Drama é tema de análise da Revista Língua portuguesa  | leia esse artigo
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Não é de hoje que Hip Hop se transformou em objeto de estudo para teses de graduações, especializações, mestrados e até doutorados.  O tema Hip Hop passou a ser visto além das linhas que antes delimitavam e marginalizam esta cultura tão popular.

As variadas vertentes dos quatro principais elementos do Hip Hop deram a possibilidade de especialistas descobrirem algo que os pertencentes à cultura já conheciam de longa data, como por exemplo, o poder transformador no Hip Hop, a rica linguagem expressada nas letras e melodias do Rap, os passos criados e perpetuados pelos B. Boys, a importância  e os ótimos resultados da incorporação do Hip Hop nas salas de aula.

Neste mês o Rap foi o objeto de estudo da Revista Língua portuguesa, na coluna Obra aberta a música Negro Drama do grupo Racionais Mc’s  ganhou a percepção e observação de Edgar Murano que destrinchou cada estrofe para entender a ideia que o Racionais Mc’s tentou passar na canção

Crime Futebol e Música

Em Negro Drama, o gênero rap ganha contornos épicos

É com a tríade “crime, futebol, música” que o vocalista Mano Brown, do Racionais MC’s, inicia Negro Drama, tratado na forma de rap sobre a condição social do negro. Na quinta faixa do disco “Nada Como Um Dia Após o Outro”, vencedor do Prêmio Hutúz de melhor álbum em 2002, Edy Rock e Brown se revezam nos vocais para narrar o estigma e os caminhos perigosos que aos negros são dados trilhar.

Versos como “Negro drama, entre o sucesso e a lama / dinheiro, problemas, inveja, luxo, fama…” resumem os extremos da existência dessa população, cuja falta de perspectivas reduz suas chances ao crime, ao esporte ou à música – o fatídico tripé no qual se apoia a composição.

Na primeira metade, Edy canta os traços característicos desse “complexo”: “o trauma que eu carrego pra não ser mais um preto fodido / o drama da cadeia e favela / túmulo, sirene, choros e velas”. A regularidade do ritmo e das rimas dessa parte servirá para aprofundar o contraste com a métrica complexa, os versos longos e as imagens grandiosas de Mano Brown na segunda parte (objeto de análise neste artigo), marcada pelo tom de testemunho.

Com recursos cinemato­gráficos e literários, embalados pelo “cantofalado” do rap, a dicção de Brown se faz sentir em expressões lapidares e num potencial dramático que não se contenta em só descrever ou aludir. “Eu não li, eu não assisti, eu vivo o negro drama, eu sou o negro drama”.

Crime, futebol, música… Caraio,
Eu também não consegui fugi disso aí.
Eu so mais um. Forrest Gump é mato.
Eu prefiro contar uma história real,
Vou contar a minha…

O trecho é apresentado sob a entonação da fala comum, sem a modulação peculiar do rap. Daí em diante o relato vai adquirindo um tom mais inflamado, mais cantado, numa crescente retórica cada vez mais agressiva e contundente. Brown se vale da alusão ao filme Forrest Gump: O Contador de Histórias para ironizar a ficção, à qual seu relato se opõe.

Daria um filme!
Uma negra e uma criança nos braços,
Solitária na floresta
De concreto e aço.
Veja, olhe outra vez,
O rosto na multidão,

A expressão “Daria um filme!” delimita o início da ação, funcionando como uma claque de cinema. Em seguida o rapper descreve uma cena que, a julgar pelo caráter autobiográfico da letra, corresponde à sua chegada a São Paulo nos braços da mãe. A cidade ganha contornos dantescos, feéricos, como se ambos estivessem perdidos numa selva escura (“solitária na floresta de concreto e aço”).

A multidão é um monstro,
Sem rosto e coração.

Hey, São Paulo,
Terra de arranha-céu,
A garoa rasga a carne,
É a torre de Babel,
Famíla brasileira,
Dois contra o mundo,
Mãe solteira
De um promissor
Vagabundo.

O mito de Babel é uma metáfora da falta de comunicação entre os habitantes da metrópole. A sensação da garoa no rosto torna o retrato mais pungente, aumentando o sentimento de desamparo.

Luz, câmera e ação,
Gravando a cena vai,
Um bastardo,
Mais um filho pardo,
Sem pai.

uma vez a remissão à linguagem do cinema reitera a semelhança do relato a uma obra cinematográfica, ao drama de “mais um filho pardo sem pai”, uma história como a de muitos outros.

Ei, senhor de engenho,
Eu sei bem quem você é,

Com “senhor de engenho” (personificação da elite branca), Brown assinala o abismo entre as classes. Ao mesmo tempo, considera-se um ser anacrônico, aquém das novidades tecnológicas. Para isso, vale-se da metáfora do leão, selvagem e indomável, grande demais para o quintal da elite.

Análise completa no site da revista

Fonte: Revista Lingua Portuguesa
Texto: Edgard Murano

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Comentário dos Leitores:

  1. Capu-PR disse:

    Eh!!! mano os cara tão entendo agora o que os preto senti na pele durante
    toda a vida e só que senti isso sabe o quanto é foda
    NEGRO DRAMA
    Crime, futebol, música… Caraio,
    Eu também não consegui fugi disso aí.
    Eu so mais um. Forrest Gump é mato.
    Eu prefiro contar uma história real,
    Vou contar a minha…

  2. alexandre disse:

    todos os raps escritos deveiam passar por uma analise como esta , pois a raps muito bons mas a maioria nao quer dizer nada a ninguem e so esculhambar os outros , exaltam o crime,fazem diferenças entre classes sociais sou dj e toco preferencialmente rap nacional mas meu publico, e bem ecletico e gosta de boa musica toda vez tenho que lapidar bem meus cds para tocar musicas de rap que caiam bem e mostre o rap de uma maneira positiva hoje poucos consegem isto rappin hood, dbs, pregador lu ,mixtape o jogo, said no beat,

  3. Ricardo brown disse:

    Ta certo … é isso mesmo q eu penso sobre essa música

  4. claudiney disse:

    FALA OQUE RACIONAIS É RACIONAIS TOMO MUNDO SABE OQUE CADA RAPPER FALA SO NAO QUER ESCULTAR .

  5. ELIAC disse:

    UMA DAS MAIORES NARRATIVAS MUSICAIS ETNICAS. SEM PALAVRAS……..

  6. Nielson Recife-PE disse:

    Negro Drama é do disco do Racionais de 2002, não sei se nas próximas edições desta revista analisarão outras letras do RAP que também merecem muito destaque no Brasil e no Mundo: Salve-se quem puder,Rua sem nome barraco sem numero,Vou colher sorrindo,Só DEUS pode me Julgar,A vida é Desafio,Atrás das grades de sangue,Mente do Vilão…nós que ouvimos,aprendemos a viver,analisamos opníões dos verdadeiros poetas do século 21 e inovadores da música brasileira entendemos a mensagem sem precisar de revista, mas é interessante ver as opniões de quem não vive no Rap.

    • Ricardo Brown disse:

      Nielson , vc ta certo maano , é isso ae …. essas musicas q vc citou , é mto boa.
      Principalmente essa música " A vida é um desafio " essa música me faz pensar na vida e no futuro, a mensagem q o Edi rock passa nessa música é muito emocionante

  7. Alberto Sagaz disse:

    É muito boa essa interpretação. Temos que mostrar isso para aqueles que só criticam o rap e a cantundência do mesmo, talvez se eles(os que falam mal) prestassem mais antenção e colocassem o cérebro para funcionar percebiriam que o hip hop e rap tem muito a acrscentar em cultura, informação, conscientização…

  8. Mauro Villas disse:

    Aí, galera, favor botar o crédito do texto para "Edgard Murano", afinal, o texto tem autor.

  9. NILL disse:

    eu tinha um livro de história acho q da quinta série ou sexta, tinha umas paginas falando de desigualdade social, e la tinha estrofes da música PANICO NA ZONA SUL e se naum me engano HEY BOY tbm tava la, e embaixo da letra tinha o nome de racionais mc hehe, e logo mais embaixo tinha algo escrito assim "RAPensando a situação" cara isso ja faz mo tempão…alguem ae ja viu esse livro? juro q naum to maluko…eu vi e peguei nele..era meuu.

  10. RUI disse:

    bacana a muitas letras legais no rap nacional é assim q tem q ser.

  11. FelipeSouza' disse:

    Só o mano brown mano, muitos falam, a rap é coisa de favelado mais se uma pessoa experta no assunto, ela vai realmente perceber que atras de umas simples palavras e versos existem varios e outros sentidos da nossa história isso sim é música não as músicas de hoje de viadagem ;x by: felipesouza @felipesouzaspfc

  12. Dj beiço disse:

    É demoro mais estamos chegando tomando de asalto o que já era nosso .
    Mas veja bem o som do mano Brown foi escrito a quase 8 anos na minha opinião nos que somos da "favela" entendemos de cara o que o Brown queria disses pq será que só agora os que se dizem estudiosos estão entendendo ? vai saber né !!!!
    Parabens RACIONAIS Mc"s !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  13. ricardo de gurupi disse:

    eu amo a musica nego drama

  14. Luke disse:

    isso ai melhor analisar musicas rap que essas antigas que sempre cai em uma prova

    vamu começa a analisar outras musica do racionais´do bv bill e do rei SABOTAGE

  15. Matheus Cavalcanti disse:

    muito massa





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