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Caetano vê letra de Sampa se concretizar no Ibirapuera

Quem foi neste domingo (15) ao Parque Ibirapuera em São Paulo ver o show Cidadania nas Ruas que encerrou o Festival de Direitos Humanos viu se concretizar a letra da música Sampa, lançada em 1978 no disco Muito, aquele que trazia Caetano Veloso no colo da mãe, Dona Canô.

A parte final de Sampa diz: “Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba, mais possível novo quilombo deZumbi. E Os Novos Baianos passeiam na tua garoa. E novos baianos te podem curtir numa boa”.

A canção foi executada por Caetano num belo entardecer de fim de primavera, diante de uma plateia extasiada em clima de paz, confraternização e respeito à diversidade.

Caetano, com a doçura de sua música, se unia no mesmo palco a Rael, Emicida e Criolo, os líderes do novo quilombo de Zumbi previsto por ele quase 40 anos antes. E também a Baby do Brasil, representante ali com seu filho, Pedro Baby, dos Novos Baianos, também presente na sua canção emblemática, com sua capacidade inconteste de juventude. Baby, naquele palco, ao lado de Tulipa Ruiz, era uma adolescente de cabelos azuis mais pós-moderna do que qualquer menininha de short curto no gramado.

E dá-lhe mais quilombo e resistência com Ellen Oléria e sua voz das quebradas, e Márcia Castro, com sua verdade assumida num grito artístico incontestável.

Quem foi àquele show viu que São Paulo se reinventou musicalmente, assumindo antropofagicamente suas influências diversas como o faz Tom Zé, também presente. E recriando uma sonoridade que veio do gueto para dominar toda a cidade, unindo a periferia e o centro em seu parque mais emblemático em um dia de domingo.

E a música do novo quilombo de Zumbi prevista por Caetano não se acha melhor nem pior do que a tradicional MPB. É igual. Não se rebaixa nem olha por cima. Convive e faz diálogo artístico como explicita O Hip Hop É Foda de Rael em resposta à A Bossa Nova É Foda de Caetano, executadas juntas naquele palco.

E o respeito harmônico e a convivência bonita de se ver de nossos artistas fica como maior lição possível de respeito à diversidade e aos direitos humanos. Porque somos todos iguais e belos em nossa essência. Quem foi ao belíssimo show deste domingo no Parque do Ibirapuera sabe do que falo.

Fonte: R7
Por Miguel Arcanjo Prado, editor de Cultura do R7

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