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Lado A: primeiro disco de Imperador Sem Teto

Pra quem não conhece, Imperador Sem Teto é algo difícil de se apresentar… à medida que você vai conhecendo, vai acostumando com a ideia: o Sem Teto é metade-personagem e metade seu criador, Igor Kierke, que acaba definindo como “o Sem Teto é algo que eu poderia ser… mas eu sou o Igor; então eu e outros artistas criamos, dentro dos campos da arte, um universo onde o Sem Teto possa existir e despertar provocações pela própria presença e personalidade”. 

A trama dessa meio-personagem também atravessa os limites, ou melhor, fica entre os limites: parte dela é contada nas músicas, outra parte nos clipes e outra parte ainda nos palcos. Como se fosse uma série híbrida: é preciso passar por diferentes linguagens da arte para entender tudo (apesar de as partes funcionarem por si só, como uma estória completa – um cuidado delicado para que isso funcione). 

LADO A é o primeiro disco, resultado do primeiro espetáculo e, ao que parece, a primeira temporada da série: um disco eclético, que lembra muito uma playlist no aleatório, misturando ritmos até mesmo dentro das tracks: rap com dub, blues com trip hop, trap com rock e assim por diante – “só não tem lovesong” diz Igor aos risos. Entre as muitas curiosidades vale destacar que as faixas se linkam entre si, que o álbum inicia com uma espécie de ASMR cênica e que você vai ser surpreendido por faixas que não são músicas (ou são?). O assunto se desdobra durante o álbum: trata a existência do Ser na civilização, na sua beleza e no seu horror. 

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