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[LM] Favela do Moinho: invisível para quem? – Vulgo Elemento

        FAVELA DO MOINHO: invisível para quem?

Uma fábrica e um moinho. Do outro lado um Viaduto. Entre eles, há trinta anos, a Favela do Moinho, região Central de São Paulo.

Favela do Moinho: invisível para quem?

Há uma linha de trem. Pessoas passam por ali todos os dias. Será que ninguém vê?
Uma comunidade invisível para o enriquecimento da elite. Invisível para o poder público.

No dia 22 de dezembro de 2011, parte da Favela do Moinho foi destruída por um incêndio que deixou mortos, feridos e sofrimento para os moradores.
Foram 368 famílias atingidas pelo incêndio, segundo a Secretaria Municipal de Habitação da Prefeitura de São Paulo.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) moravam nessa comunidade 532 famílias, sendo 1.656 pessoas.

Favela do Moinho: uma favela no centro do abandono e distante da qualidade dos direitos sociais rezados na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no artigo 6º “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”.

Já que temos os direitos, por que não temos o que os direitos garantem na realidade?

Há várias respostas para essa questão a qual carece de um debate mais intenso. Porém, não querendo remetê-la a uma resposta curta e simples, pontuo que o acesso aos direitos, ou melhor, a forma do acesso e como ele é acessado interferem no processo de conquista e de efetivação dos direitos. No caso brasileiro, temos que fazer manifestações para provarmos que somos cidadãos ou que precisamos de cidadania. Cabe aqui uma reflexão sobre a cidadania no Brasil (Carvalho, 2010).

Temos um abismo entre o discurso e a prática. A pobreza e a miséria são rentáveis para os ‘latifundiários historicamente contemporâneos’. Nas palavras de Mano Brown “O Brasil tem solução. É só dividir a riqueza.”

Também acredito que o Brasil tem solução, mesmo sabendo que dividir é uma ação inutilizável pela elite brasileira.

No dia 22/01/12, um mês após o incêndio, aconteceu na comunidade o “Festival Moinho Vivo”. Um evento beneficente que teve por finalidade arrecadar doações para os moradores.

A saber, os convidados que fizeram apresentações (de acordo com flyer de divulgação do Festival) e os vários rappers e pessoas que acompanham e/ou promovem ações por meio da cultura Hip Hop que estavam presentes: Mano Brown, Edi Rock, Don Pixote, Dexter, Gregory-Total Drama, Nego Jam, Lino Cris, Ndee Naldinho, Crônica Mendes, Lindomar 3L, Gedson Dias, Jairo Periafricania, Du Corre, Emicida, Us Vagabundo Chic, Rincon Sapiência, Caos do Subúrbio, Q.I. Alforria, Rimatitude, Pacto de Vida, Ortiz, In. Formação de Atack, Interna Mente, James Bantu, Antônio Lord Boff, Massão, Pacto de Vida, M2D, D’ Quebrada, Rappin Hood, Filhos do Leão, Slim Rimografia e Thiago Beats, Maomi, Inquérito, Negredo, Rebelde e Sombra, DBS e a Quadrilha, Art Popular, Leci Brandão, Sampa Crew, Jéssica Balbino, Nina Fideles, Carlos Carlos Pereira, Milton Sales, JB e JD Jairo e vários outros.

Foi um evento que me fez lembrar a origem do Hip Hop e me fez pensar como a humildade faz do homem merecedor de suas conquistas por não se esquecer daqueles que precisam de ‘espelhos’ para vislumbrarem uma vida melhor.

O RAP é alimento. O RAP é a música que expressa a verdade de dentro do real diário das pessoas, principalmente, daquelas que sobrevivem nas periferias.

Isto é, de acordo com Dexter “Quer conhecer o povo? Ame o RAP.”

Essas simples palavras são de solidariedade e de luz para os moradores da Favela do Moinho.

Um salve!

“Não é qualquer um que pisa no barro mesmo vindo dele.”

Vulgo Elemento
www.vulgoelemento.blogspot.com

5 comments

  1. Preto Cria 26 janeiro, 2012 at 14:55 Responder

    A FAVELA DO MOINHO REALMENTE É INVISÍVEL SÓ PARA O PODER PÚBLICO E NÃO PROS AUTÊNTICOS MILITANTES DAS CAUSAS SOCIAIS.O VERDADEIRO PROTESTO É AQUELE QUE O "COMUNICADOR" CONSEGUE EXPRESSAR DO FUNDO DA ALMA O SENTIMENTO DE MUITA GENTE. AQUELE QUE TAMBÉM FAZ UM PARALELO COM A REALIDADE CONCRETA E, ACIMA DE TUDO PROPÕE INÚMERAS ALTERNATIVAS PARA A SUPERAÇÃO DAS DIFICULDADES DOS OPRIMIDOS. ISSO É O RAP A CARA DA GENTE
    PARABÉNS VULGO ELEMENTO

    ATENCIOSAMENTE

    PRETO CRIA – RAPPER HÁ 19 ANOS, ESTUDANTE, ESCRITOR,
    PALESTRANTE DA CULTURA HIP HOP E UM DOS COLABORADORES
    DO PORTAL RAPNACIONAL.COM.BR/LITERATURA

  2. Vulgo Elemento 26 janeiro, 2012 at 19:20 Responder

    Salve Preto Cria. Salve manos e minas do Portal RAP Nacional.

    Satisfação pela publicação.

    Tamo junto!

    "Ideias divididas são ideias multiplicadas" (Vulgo Elemento)

  3. RO3P 26 janeiro, 2012 at 19:50 Responder

    infelizmente o que é de obrigação o governo nos dar , temos que conquistar a base de ferro e fogo,,,,, o olho por olho ,dente por dente se modernizou…. contem luxuria, ganasia,soberba ,injustiça…. consequencias…… queremos mudança ???? mas de que forma….. o sistema conseguiu e consegue manter nosso povo sentado … enfraquecido para que não tenha um pingo de voz ativa ,para que saiba apenas reclamar mediante uma garrafa de cerveja ou pinga,,, … então acredito de cabe a nós iniciar a mudança . injetando coragem no povo para qeu a coisas começem a mudar !!!!!!!!!!!

  4. SABRINA 27 janeiro, 2012 at 18:00 Responder

    ACHEI IMPRESSIONANTE COMO A MÍDIA, PRINCIPALMENTE A GLOBO PASSOU OS INFORMES DO INCÊNDIO DA FAVELA DO MOINHO, COMO SE FOSSE UM SIMPLES ACIDENTE E A PREFEITURA SE RESPONSABILIZARIA COM A AJUDA DE UM SALÁRIO -. ALUGUEL COMO AS VIDAS DAS PESSOAS SE RESUMISSEM NISSO! TENHO AMIGOS QUE MORAVAM LÁ, FORAM EMBORA NÃO SÓ VIDAS, OS CAFOFOS, MAS LEMBRANÇAS, CONSTRUÇÕES DE VIDAS, HISTÓRIAS QUE FICARÃO NA MEMÓRIA.

  5. Jefferson Santana 28 janeiro, 2012 at 01:06 Responder

    ótima reflexão:Já que temos os direitos, por que não temos o que os direitos garantem na realidade?

    O que acontece na favela do Moinho, Pinheirinho e tantas outras deste imenso e desigual país é a prática não condizente com os belos textos da Constituição, em que sempre todos tem direito a moradia, educação, alimentação e etc. Cadê a prática? Ainda bem que existe mobilizações sociais como esta do Moinho Vivo para manter viva a esperança de um país melhor!

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