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Mundial de B-boys tem eliminatória latino-americana neste sábado no México

Três brasileiros estão entre os 16 competidores. Vencedor garante vaga na final mundial do campeonato, marcada para 08 de dezembro no Rio de Janeiro

Neste sábado, dia 25, em Monterrey (México) será realizada a qualifier latino-americana do Red Bull BC One; um dos maiores campeonatos mundiais de B-boys em disputas homem-a-homem. Entre os competidores participarão três brasileiros: os B-boys Luan (crew Funk Fockers, de Bauru/SP), Klesio (crew New Old School, de Brasília/DF) e Xandin (crew Over Kingz, de Brasília/DF). A disputa será realizada no Museo del Acero, localizado dentro do Parque Fundidora, um dos pontos turísticos da cidade. Durante anos, a locação serviu como forno para fundir ferro e outros minerais e faz parte da história local.

A etapa está entre as seis qualifiers internacionais que definirão parte dos 16 melhores B-boys do mundo para a final mundial deste ano, marcada para 08 de dezembro no Rio de Janeiro. Uma parte do elenco da grande final é formado pelos vencedores destas qualifiers – que anteriormente venceram as eliminatórias nacionais, conhecidas como Cyphers. Outra parte é definida via convite direto feito pela organização do campeonato.

Todas as qualifiers terão transmissão ao vivo na web no site oficial da competição em redbullbcone.com. A quali latino-americana será transmitida neste sábado a partir das 21h – horário de Brasília. Assim como na final mundial, as qualifiers do Red Bull BC One obedecem sempre a mesma dinâmica: 16 B-boys divididos em oito chaves enfrentam-se em batalhas mata-mata – ou seja, quem perde está automaticamente eliminado – passando por quartas, semi-final e final, de onde sai um único campeão.

Neste sábado, os B-boys serão avaliados por um trio de jurados formado pelos B-boys Lil G (Venezuela) – Red Bull BC One All Star -, Nasty Ray (EUA) e Moy (EUA). As próximas qualifiers serão para as regiões da Ásia e Pacífico (Auckland, Nova Zelândia, dia 01/09), África e Oriente Médio (Casablanca, Marrocos, dia 14/09) e Oeste Europeu (Roterdã, Holanda, dia 22/09).

Antes da etapa em Monterrey, já foram realizadas as qualifiers para a América do Norte em Chicago (vencedor: B-boy DOMkey – EUA) e para o Leste Europeu em São Petersburgo (vencedor: B-boy Slav – Bulgária)

Os 16 competidores da qualifier latino-americana do Red Bull BC One no México:

B-Boy Gato (México)
B-Boy Archi (México)
B-Boy Salo (Venezuela)
B-Boy Enano (Venezuela)
B-Boy Lil Drez (Colombia)
B-Boy Zkillz (Peru)
B-Boy Roflow (Peru)
B-Boy Jandro (Guatemala)
B-Boy Wolverine (El Salvador)
B-Boy Naruto (Rep. Dominicana)
B-Boy Lil Mouse (Bolívia)
B-Boy Xandin (Brasil)
B-Boy Luan (Brasil)
B-Boy Klesio (Brasil)

B-Boy Shucki (Chile)
B-Boy Johny Breaker (Argentina)

Sobre o Red Bull BC One: Criado em 2004, o Red Bull BC One é atualmente um dos maiores e mais respeitados campeonatos de B-Boys no mundo em disputas 1×1. O formato reúne sempre 16 B-boys divididos em oito chaves de batalhas homem-a-homem, todas eliminatórias, passando por quartas-de-final, semi-final e final, até restar um único campeão. A cada ano, a final mundial é realizada em uma cidade diferente do globo. Em 2012, a finalíssima será no Rio de Janeiro no dia 08 de dezembro. Esta será a segunda vez que o Brasil receberá uma final mundial do Red Bull BC One. Em 2006, a final mundial daquele ano foi realizada no Memorial da América Latina em São Paulo.

Quem são os B-boys brasileiros na disputa em Monterrey:

B-boy LUAN
Nome completo: Luan Carlos dos Santos
Crew: Funk Fockers (Bauru/SP)
Idade: 21 anos
Vencedor da eliminatória brasileira realizada em São Paulo dia 26/05/2012


Luan começou no B-boying aos 12 anos, por influência dos amigos. Viu a primeira roda de Breaking neste época, no caminho de volta para casa, quando retornava da aula de capoeira. Isso foi em 2003 e, de lá para cá, nunca mais parou de dançar.

Aos 21 anos, ele conquistou uma das vagas entre os 16 B-boys que disputarão em Monterrey, México, no final de agosto, a qualifier Latino-americana do Red Bull BC One; o maior campeonato do mundo em disputas homem-a-homem. “Meu estilo é inspirado na minha vida, no meu dia-a-dia, é um estilo da “quebrada”, gangsta, com muita humildade, respeito e sentimento.”, resume.

Se vencer lá, classifica-se para a final mundial da temporada 2012 que, neste ano, será no Rio de Janeiro em dezembro. “Quero aprender muito por lá e representar bem a minha crew”, disse sobre a expectativa em relação a qualifier latino-americana. Sua maior fonte de inspiração é a própria realidade e aqueles que estão por perto; e lhe acompanham no dia-a-dia. “A rua me inspira. Meus amigos, minha crew e minha família.”

A hora da batalha é sempre um momento de grande expectativa, não tem como não ficar nervoso. “Todos os B-boys ficam tensos nesta hora. Mas você tem que ser muito verdadeiro quando está lá. Eu escuto a música e deixo fluir.” E assim, Luan executa os movimentos que considera a sua marca tais como os freezes, tricks, powermoves, além de musicalidade e os saltos. “Para mim, o B-boy tem que ser completo.”, enfatiza. Falando da cultura Hip Hop, Luan revela-se um grande fã do trabalho dos DJs e o rap é o seu estilo favorito. “É o tipo de música que mais gosto porque fala da realidade, é algo totalmente underground.”. Seu gosto musical também inclui o soul e o funk; ritmos que são para dançar com a alma, como ele mesmo classifica.

Luan vive da dança, ou melhor, “eu sobrevivo da dança” diz sobre as dificuldades muito comuns a quem decide abraçar o B-boying como estilo de vida no Brasil. A mãe e os irmãos, além dos amigos da crew Funk Fockers, são seus maiores incentivadores. “Tirando eles, meu círculo familiar não aprova que eu sobreviva da dança. Acham que, por já ter 21 anos, deveria arrumar um emprego. Mas eles sabem que eu nunca vou parar de dançar.” Tamanha certeza pode ser comprovada quando ele responde sobre como se vê daqui alguns anos. “Me vejo ensinando tudo o que aprendi na dança.”, conclui.

B-boy KLESIO
Nome completo: Kleson Silva Moreira
Crew: New Old School (Brasília/DF)
Idade: 22 anos
Vice-campeão da eliminatória brasileira realizada em Brasília no dia 18/05/2012

Quando entra em uma batalha, o B-boy Klesio passeia pelos elementos do B-boying de forma completa. Estão lá o top rock, foot work, powermoves e os tricks. Mas, além dos fundamentos clássicos que todo B-boy conhece, ele também busca outras fontes para aprimorar seu estilo, deixando a sua dança com cada vez mais personalidade.

“Descrevo meu estilo como B-boy 2 style. Desenvolvo algumas outras danças – como House, Locking e Freestyle – para deixar meus movimentos ainda mais no ritmo da música e meu top rock mais solto”, resume o representante da crew New Old School de Brasília, Distrito Federal, lugar que concentra uma das mais relevantes cenas do B-boying made in Brazil.

Na cena B-boying, seus maiores inspiradores são os B-boys Roxrite (Renegades/ Break Disciples/Squadron/ Red Bull BC One All Star) e Moy (Havikoro). Lado a lado destas inspirações, Klesio busca adicionar ao B-boying a alegria, energia e audácia da tão falada ginga brasileira em sua dança.

Em uma disputa, seu foco sempre é dançar. “Não importa se vou ganhar ou perder”, resume. Diz ainda que esta atitude ajuda a manter a calma e a não ser dominado pelo nervosismo antes de uma batalha. Para Klesio, ser um B-boy não é apenas dançar mas viver a dança até no jeito de andar, falar e vestir. Ele vai ainda mais além nesta atitude ao ministrar aulas de Breaking no projeto Atitude Jovem; que atende jovens carentes da periferia do Distrito Federal, no caso, a cidade de Ceilândia.

Quanto a cultura Hip Hop, Klesio lembra o surgimento da cena nos bairros periféricos de Nova York; que encontrou eco em diferentes parte do planeta especialmente em países pobres e com grandes desigualdades sociais.

Viver somente da dança, como atualmente, foi algo que aconteceu na vida de Klesio. “Veio como consequência mesmo. Depois que surgiram os primeiros trabalhos sociais, optei por viver disso já que está dando certo”, diz. Isso, inclusive, ajudou sua família a aceitar a escolha feita por Klesio. “No começo, eles achavam que eu que fazia era coisa de bandido. Com o tempo é que passaram a valorizar o meu trabalho”, conta.

Continuar a viver da dança e envolvido com temas sociais são seus planos para o futuro; onde também deposita expectativas para que a cena B-boying seja cada vez mais reconhecida em seu país. Para Klesio, o Brasil tem uma cena Breaking muito forte apesar do pouco apoio encontrado. “Não há apoio para a dança, tampouco o reconhecimento pela sociedade. Além disso, tem que faça apologia às drogas e à violência dentro da cena e isso acaba transmitindo uma imagem muito negativa da dança para quem está de fora”, resume.

E, para esclarecer de vez: É Kleson ou Klesio? “Meu nome de batismo é Kleson. Mas, como as pessoas sempre me chamaram de Klesio, adotei este como meu nome artístico mesmo”, conta.



B-boy XANDIN

Nome completo: Alexandre Duarte
Crew: Over Kingz (Brasília/DF)
Idade: 21 anos
Vencedor da eliminatória brasileira realizada em Brasília no dia 18/05/2012

Vencedor do Red Bull BC One Cypher Brasília 2012, Alexandre Duarte, conhecido como B-boy Xandin, tem um talento especial quando batalha: a habilidade de surpreender o seu oponente já que os movimentos inesperados fazem parte de suas habilidades na dança. “Meu estilo é puro movimento,eu gosto de misturar os fundamentos ao invés de usá-los separadamente”, diz Xandin.

Aos 21 anos, ele começou a dançar quando tinha 17, motivado pelos amigos, que o fizeram abandonar o skate para se dedicar ao B-boying. “Antes de começar a dançar, eu fui campeão local de skate na minha cidade por três vezes”, conta o B-Boy que nasceu em Planaltina, cidade próxima à capital federal, Brasília.

Sobre sua vitória na Cypher de Brasília, ele acredita que foi um misto de dedicação à dança com ajuda de Deus. No entanto, nos dias que precederam a Cypher, ele treinou cerca de 1 hora, duas vezes por semana, frequência que considera muito aquém do que costumava fazer em outros tempos. “Costumava treinar três horas todos os dias. Mas, como tenho que trabalhar, me sobra pouco tempo para os treinos ultimamente. Acho que terei que sair do trabalho para me dedicar mais à dança com foco na qualifier latino americana no México”, diz Xandin que trabalha em uma indústria farmacêutica.

O motivo de seu apelido como B-boy é porque já havia outro Alexandre na sua crew, a Over Kingz. E, como ele era o menor de todos, Xandin acabou sendo adotado pelos amigos mais próximos na cena B-boying. Antes de cada batalha, ele tenta relaxar ouvindo boa música. Aqui, há outra curiosidade sobre o campeão da Cypher Brasília. Seus estilos favoritos para ouvir são o Gospel e o Reggae. E sobre Hip Hop? Rap? “Ah, não, estas músicas não fazem muito a minha cabeça”, resume.

Clipe especial sobre a final mundial no Rio de Janeiro:

Mais em redbullbcone.com

Fotos – créditos: Theo Ribeiro/Lost Art/ Red Bull Content Pool

 

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