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Rapper carioca Ramonzin estreia primeiro álbum “Circo dos Motivos”

Conhecido como um dos precursores do freestyle carioca, Ramonzin lança seu primeiro álbum, Circo dos Motivos. Em 18 faixas, mostra sua trajetória no universo hip hop e suas inspirações que vêm das batalhas de rimas da Lapa, das rodas de samba, das vivências no morro do Juramento, da adolescência streeteira e da essência artística e musical de referencias que vão da bossa nova ao samba rock, da golden era do rap americano aos mestres do rap nacional. Com produção assinada por Du Brown e participações de peso como Nina Black, Karla da Silva, Patrícia Rezende, Shaw, Shadow, Rick Fuentes, Tubaína, Xará, Mc Jota e Marquinho Osócio, Circo dos Motivos chega com rimas coerentes, pegada forte, riqueza poética e muita criatividade nos instrumentais, além de versos autorizados do mestre Chico Buarque.

+ Circo dos Motivos

O título do álbum de Ramonzin faz uma analogia ao circo da vida, em queinstintos primitivos ainda predominam atitudes nesse mundo aparentemente evoluído tecnologicamente, com suas máquinas e grandes invenções. “As pessoas ainda matam e morrem por amor, em nome da fé, se consomem pela inveja, cobiça e ganância. Todos nós temos nossos motivos, àquilo que nos move e que nos comove. E por onde formos eles vão conosco, daí a ideia de circo, pois ele é itinerante.”

Com um discurso afiado e furioso nos versos, Ramonzin foi cuidadoso ao amarrar a musicalidade rítmica e instrumental com suas rimas, passando mensagens com elementos sonoros do samba, reggae, MPB, bossa nova, jazz e soul, sem nunca deixar de fixar sua essência RAP.

A faixa  Se ela Soubesse… foi a primeira música do disco a ser lançada e de 2010 para cá, rende todos dias novos apreciadores e críticas positivas, é uma das mais tocadas no gênero love songs do rap, com a capa do single inspirada no primeiro disco de Cartola,o som acabou criando uma nova tendência nas retóricas de amor. Durante o processo de criação de Circo dos Motivos, Ramonzin presenteou o público com mais 5 faixas, que geraram muita expectativa no público:  O BPM da MPB conta com participação da cantora Karla da Silva, refrão autorizado pelo mestre Chico Buarque e trompete tocado pelo próprio rapper, a canção representa seu coração boêmio e sua forma de viver intensamente.  Golden Era traz além do ritmo, elementos sonoros da época mainstream do hip hop e participação da cantora soul Nina Black, ao mesmo tempo que, mantém a era de ouro viva, passa informação para os mais novos. Correria fala de rap e como se manter vivo nesse meio, conta com refrão da Karla Silva e participações dos parceiros de corre Shaw e Daniel Shadow, cada um mostrando essa realidade por sua óptica. Em A Terceira Margem do Rio, o tema é a insatisfação como indivíduo com a sociedade, a analogia com o conto de Guimarães Rosa representa a sensação de impotência coletiva com os problemas metropolitanos. Já em Barracão de Zinco Ramonzin vem com uma levada diferente do habitual e muita versatilidade no flow, em uma mensagem positiva e de superação.


Entre as inéditas, Circo dos Motivos abre o álbum com um retrato das inquietudes comportamentais e opressão do regime capitalista de forma crua e parcial, incitando o levante. Rascunhos têm participações de Xará e Jota Black e uma energia dos anos 90,com rap essência e trocadilhos mais técnicos característicos da época. Só mais um Zé, conta a história do homem bom que se deixa ser corrompido pelo que o mundo oferece e coage a ter, tem um toque jazz com piano e fender rhodes de João Bittencourt, amarrado com trompete de Ramonzin na melodia. Mulher Verdadeira, explora o lado comportamental da mulher e como o homem se atrai por isso, conta com participação de Marquinho Osócio, vizinho de bairro que participou do The Voice, e a gaita de Michael Moro. O RAP é mais que Som, vem com uma mensagem direta e seca, unida as rimas dos mcs paulistanos Henrick Fuentes e Tubaína. Sem Arrego, é a faixa mais política do disco, a base jazz, moldura rimas ácidas em tom contestador, finalizadas pelo refrão da cantora brasiliense Patrícia Rezende. Os Donos da Rua, traz o cotidiano do morro em uma analogia aos subúrbios do filme clássico Boyz in the Hood, além dos problemas, exalta as belezas e o clima de união entre o povo, com guitarra e cuíca a faixa conta com sax de Yuri Villar. Em Conduta de Sujeito,Ramonzin mostra como conduz e decide as coisas da vida. Depois que o álbum estava fechado o rapper incluiu De Pai Para Filho, canção dedicada aos filhos Matheus e Davi em que retribui com sua arte o carinho por eles e a Boom Bap que representa bem o estilo de rap dos anos 90, a Golden Era terreno de produção que Ramonzin tem mais afinidade de trabalhar, além do peso dos graves ela conta com os riscos do DJ Jota L.

“Aprendi que o independente depende de muita gente”

+ Ramonzin

Aos 32 anos, Ramonzin tem vivência de 15 anos no mundo do rap, nascido em São Cristóvão – RJ, criado entre os bairros de Inhaúma e Engenho da Rainha, hoje é morador do morro do Juramento, zona norte do Rio de Janeiro. Foi apresentado ao rap através do skate já que os companheiros de role sempre levavam mix tapes para ouvir durante as sessions, na sequência, descobriu seu talento para rimar e não demorou muito para se unir a outros MC’s nas rodas de Freestyle, promovidas no final dos bailes da Festa Zoeira, na Lapa. Ganhou muitas das lendárias batalhas de rimas, inclusive o super desafio Six, uma das maiores premiações nacionais daquele tempo. O RAP o fez sentir vontade de estudar e buscar mais conhecimento: “Quanto mais eu lia e me informava sobre as coisas, melhor era o meu vocabulário freestaleiro”. Um pouco mais sobre esse movimento pode ser conferido no documentário De Repende – Poetas de Rua, de Arthur Moura.

Além de Mc, também é trompetista, e compila suas aptidões com improvisos e arranjos instrumentais. Criando suas próprias produções como beatmaker. Sua retórica de tradição com essência vanguardista precipita os horizontes de uma nova construção musical. Um Rap fino e conceitual, mas com uma indiscutível “pegada” popular. Em 2008, lançou o EP Subindo a Ladeira, ao lado do DJ Erik Scracth e Marco Cafus, com o Grupo Monumento In Verso. Em 2010, foi a vez de o trabalho solo começar a criar forma, com o lançamento do single Se Ela Soubesse…, a canção soa como nova até hoje e tirou a voz e as rimas do artista do círculo já conhecido no RJ para o mundo. De lá pra cá, além de lançar mais 4 singles presentes no disco de estreia, participou das faixas Samba do Bem, no disco da cantora Karla Silva, sua parceira em mais duas canções e Raiz, ao lado de MV Bill e Nina Black, que também fez sua participação no novo disco. Foi um dos destaques da série Tudobom Sessions, realizada pela Tudubom Records em clima acústico e intimista, que já rendeu mais de um milhão de views no Youtube. No programa Sarau, exibido semanalmente pela Globo News, foi citado como “Maestro do subúrbio” pelo apresentador Chico Pinheiro.

 

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